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Acredito que todos que passam por aqui tenham conhecimento da riqueza e diversidade da cultura brasileira. Não é necessário utilizar o horário nobre da tv aberta para mostrar uma trama que gira em torno de um crime de assassinato ou propague a cultura de outros paises. Minha proposta é a cultura do Brasil. Em um dos textos que publicarei aqui será feito um comentário sobre a Aurora Boreal e o Sol da Meia Noite que são fenômenos da natureza não visíveis aqui no Brasil. Fora os 2, nenhuma outra influência de cultura estrangeira.

domingo, 22 de janeiro de 2012

A AMIGA DOS ANJOS - CAPITULO II

- Tem muita gente na frente, muito barulho! é capaz dela não escutar.
Sem fazer pergunta a convidado recebeu resposta direta para sua indagação.
- É mesmo uma criança linda, logo se vê que é cercada de cuidados - observação da senhora Leila, esposa do senhor Heraldo, velho amigo do falecido pai do pai de Aninha.
   Que aproveitaram a proximidade da aniversariante para entregar-lhe a lembrancinha que haviam trazido para ela, nada menos que um volumoso urso gigante. O primeiro dos 26 que estão em seu quarto.
   Esta é a história do inicio da coleção de ursos gigantes da Aninha que a partir deste dia, não parou de crescer.
   Otávio pai da Aninha, olhou para esposa como se pedisse autorização para falar sobre um assunto muito delicado, a surdez de filha.
- A Aninha nasceu surda. Eu e minha mulher temos feito tudo que nos é recomendado, mas nós ainda não tivemos o resultado que esperamos.- respondeu ao convidado com a filha no colo e em seguida dando-lhe um carinhoso beijo .
   O casal de convidados se entreolhou e desta vez foi o senhor Heraldo quem recebeu a autorização da esposa para entrar no assusnto que ele queria.
- Você não precisa se desculpar nem demonstrar embaraço diante da deficiencia da sua filha, nós também temos um filho surdo - a esposa do amigo, senhora Leila, disse em tom de quem entendia perfeitamente a dificuldade dos pais de Aninha.
- E te digo mais! - disse o senhor Heraldo - não é fácil para nós que somos pais entender que nossos filhos sejam diferente. Que eles sejam portadores de uma, uma... - procurou a expressão correta - de uma necessidade especial. A surdez não é uma deficência visível e quem vê as nossas crianças  não imagina que elas se comuniquem de maneira diferente. Nós pais temos a obrigação de aprender para participarmos do dia a dia dos nossos filhos, caso contrário, seremos excluídos. Se não for assim, nós estaremos fora da vida deles.
    Você é um rapaz muito jovem, sua mulher - olhou para Cristina, mãe de Aninha - tão jovem e linda quanto você, certamente terão outros filhos tão lindos quanto vocês e quanto a Aninha é. Eu que sou mais velho, fui amigo do seu pai te digo com toda pureza e sinceridada do meu coração. Nunca desista de assistir a sua filha no que ela precisar, porém existem casos que estão fora do alcance da medicina. A ciência ainda está em evolução. Nunca impeça sua filha de falar, de atenção ao que ela tem a lhes dizer, e por fim respeite o limite dela. É o conselho de um pai que tem um filho com a mesma necessidade que a sua filha tem.
    Meu filho hoje é um homem. Estuda, trabalha, tem namorada e já pensa em casar - com os olhos marejados olhou para esposa - meu filho é a joia mais preciosa que Deus botou na minha vida. Eu não me canso de querer saber o que ele tem a me ensinar - secou discretamente o canto dos olhos - eu não me canso de aprender com o meu filho.
     Eu tenho certeza que a sua joia te trará a mesma riqueza que a minha trouxe a minha vida.
     Ana Carolina soares Teixeira, 1 ano de idade, havia recebido a diagnostico de ser portadora de acúsia bilateral sensorial profunda, em uma linguagem mais simples, ela era completamente surda. Foi a partir do dia da festa e da conversa com a amigo do seu falecido avô que a vida de Aninha e seus pais mudou compleamente.
     Os pais de Aninha acreditavam que alguma coisa pudesse acontecer subitamente e que ela sem mais nem menos começasse a escutar. Foi preciso a interferência do amigo, para que finalmente a menina começasse a receber a assistência que um surdo precisa. Que o passar do tempo e a espera não devolveria a criança a audição que ela nunca teve. Após muito choro e muita lamentação, decidiram que era hora da menina ser tratada como surda. O cuidado e a atenção da qual o amigo fez breve e emocionado comentário começaria no dia seguinte.
     Otávio e Cristina eram sócios de uma empresa especializada em tecnologia da informação, popularmente conhecida como T.I.
     Otávio,  um verdadeiro gênio capaz de desenvolver qualquer programa que lhe fosse solicitado. A mãe uma verdadeira dama. Especializada em marketing falava inglês e espanhol, estudava japonês e planejava o alemão. Sabia negociar e era articulada, tirava o que queria de onde queria. Coube à ela e a outra a área de captação de clientes; em outras palavras, Cristina na companhia de outra sócia era responsavel por contatos, vendas e contratos e o Otávio na companhia de outros dois sócios trabalhavem desenvolvendo o programa que atenderia os pedidos encomendados. Muitas vezes os pedidos eram feitos em estados diferentes do Brasil. Outras vezes era necessário que eles viajassem para outros países participando de cursos, exposições, recomendados por amigos, antigos clientes, retribuindo convites, fazendo propaganda dos serviços que eles prestavam, eram terceirizados para representar alguma grande empresa, feiras de tecnologia e coisas assim. Depois que a Aninha começou a fazer o tratamento com a "tia Alice", Cristina parou completamente de fazer as viagens internacionais. Que agora passaram a ser feitas pela mesma que fazia antes  com ela só que agora na companhia do seu marido. Um daqueles que antes trabalhava com Otávio desenvolvendo programas.
    No inicio, Cristina se sentia contente em estar em casa assistindo a filha, mas com o passar do tempo e como o Otávio bem disse ao amigo no dia da festa da Aninha, eles ainda não tinham conseguido o resultado esperado, Cristina começou a sentir falta da sua velha rotina de trabalho.

Um comentário:

  1. Carlinha, to gostando de aprender os sinais, manda mais alguns. Boa sorte.

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